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Dia Internacional da Drag Queen

Publicado em 16/07/2020 | drag queens, dia das drag, julho, arrasadora

 


A origem e atualidade das Drag Queens

por: Luis Otávio Pires (@luisotaviopf)
 
 
São milhares de drag queens que fazem shows, se apresentam, cantam, dançam, dublam e são comentadas na mídia devido ao sucesso. Mas, afinal, o que significa a palavra drag queen?  Segundo Fontoura (2007) o termo inglês drag é uma variação de dragon que significa dragão e o queen, corresponde a palavra rainha.
 
 Um dos fatores que marcam a Grécia Antiga é o teatro. Em 500 a.C, as mulheres não participavam das peças teatrais. Os atores se vestiam de mulheres para então poder interpretar personagens femininos. Com o passar dos séculos, na Europa, por volta dos séculos XVIII e XIX, as mulheres foram ganhando espaço nos palcos de teatros. Dessa forma, a maioria dos homens deixou de lado a experiência de interpretar um personagem feminino. Mas, mesmo assim, ainda tiveram aqueles que continuaram a “montagem” como uma forma de sátira. 
 
Ao mesmo tempo em que as mulheres conquistam os seus direitos e espaços nos teatros, homossexuais se aproveitam para dar continuidade à arte de se transformar em uma mulher. Uma das primeiras drags que ficou bem conhecida na época foi a Madam Pattrini, papel de Brigham Morris Young (1931), uma drag que fazia performances em casas noturnas.
 
 
 
 
Madam Pattrini em 1860
 
 

No século XIX, o termo drag queen foi se concretizando, fazendo com que ficasse oficialmente conhecido como um homossexual que se transformava em mulher para fazer apresentações teatrais. Como os homossexuais da época pensavam que estava tudo liberado, alguns começaram a sair de suas casas montados, como foi o caso de Frederick Park e Ernest Boulton, dando a vida a Fanny e Stella. A revolta da população em Londres, ao ver dois homens vestidos de mulher no meio da rua, e de dia, foi imediata. A partir disso, as polícias começaram a investigar, até que passou a ser um crime esse tipo de arte. Muitos homossexuais, ou homens travestidos, como eram conhecidos na época, foram presos por “abominável crime de sodomia” e também por prostituição.

 

Frederick Park e Ernest Boulton, como Fanny e Stella, em 1860

 


Com o passar do tempo, a cabeça da sociedade foi evoluindo e as drag queens ganhando mais espaço nos meios teatrais. Foi no século XX que as drags se tornaram conhecidas por se apresentarem em teatros, cantar, agitar, alegrar o público que após um dia estressante no trabalho, buscava por diversão. 

Como todas as mulheres que se preocupam com suas maquiagens, as drag queens também. Batom, base, corretivo, iluminador, cílios, rímel, peruca, roupa e unhas, todos esses elementos transformava um homem em uma figura feminina. Na década de 1930 para 1940, a carreira de ser drag ficou conhecida como cara, devido à tanto material para se montar adequadamente.
 
Um grande evento da época chamava atenção de muitos, intitulado de “Pansy Craze’ ou “Drag Balls”, era o baile em que os homens deveriam ir vestido de mulheres, como uma grande forma de diversão. E o referido evento possibilitou as drag queenstambém se montarem e irem a esses bailes. Com o passar do tempo, esse baile foi conquistando milhares de pessoas.  Em meados 1927, o movimento Pansy Craze tomava parte de Nova York, Paris, Londres e Berlim. 
 
Contudo, Mahawasala (2017) destaca que nessa época o preconceito era um ponto que estava se alastrando na sociedade. Os bailes Pansy Craze começaram a ficar mais escondidos, sem tanta divulgação, como uma forma de evitar o aparecimento da polícia, pois as queens estavam em busca de seus lugares na sociedade, e a justiça as consideravam ainda uma ‘ofensa’ para as outras pessoas. Nessa época, muitos transformistas foram presos por tentarem desafiar a lei e serem simplesmente quem eram, fazendo a sua arte como uma forma de trabalho. Porém, não deixaram essa fase abalar a arte drag, a qual continua viva devido à insistência das drags antigas em acreditar na arte, no diferente, no brilho, na magia, e no amor.

 

 


 
 Baile  'Pansy Craze’ ou 'Drag Balls' em 1900
 
 

A evolução das roupas femininas aconteceu entre 1950 a 1960, dos enormes vestidos e chapéus que cobriam todo o corpo, às roupas modernas e mais aconchegantes. Para as drag queens não foi diferente. Porém, o lado de preservar a figura feminina continuou e ainda prevalece na maquiagem, o jeito sensual e feminino de ser.

Na época da perseguição das polícias, a maioria das drag queens usavam enormes vestidos que tapavam todo o corpo, e ao final das apresentações, algumas tiravam alguma parte da roupa, ficando seminuas no palco. Mas, sempre tinham aquelas que já começavam o show com as roupas sensuais, como hoje têm prevalecido em parte das drag queens brasileiras como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Lia Clark e Aretuza Lovi, as quais são destaques no cotidiano. 
 
A roupa que as drag queens usavam no século XIX são completamente distintas em comparação com as de hoje. Existem casos que nem a maquiagem é o essencial, mas sim a roupa, para valorizar o que há de aspecto feminino, moldando no corpo masculino um corpo que representa uma mulher. Esse é o papel essencial da roupa: a arte de transformar o corpo. Mesmo com o passar dos tempos, e as roupas das queens ficarem mais curtas e sensuais, a essência de passar uma mensagem de querer ser drag e viver queen é normal, natural, e sempre existiu.

 

 

 

Drag Dmittry em 2018 (@dragdmittryoficial) com a ajuda da Styling Fefi Tidei (@fefitidei) no primeiro ensaio fotográfico da Arrasadora


Levar uma pessoa a se montar de drag é um ponto que envolve fatores psicológicos e descobrimento. Busca pelo “eu”, pela sua felicidade, se ser realmente quem é, de gostar e sentir prazer em fazer essa arte da montagem, ou seja, descobrir a identidade do masculino, junto com o feminino. Assim, para fazer drag queen envolve uma estética. Não são tutoriais no ‘YouTube’por exemplo, que transformará o indivíduo em uma drag queen  do dia para a noite.
 
Como pode perceber, quando se fala em drag queen  a imagem que vem à mente é de uma figura feminina, porém em um corpo masculino. Ao encontrar uma identidade, as drag queens estão prontas para subir no palco ou até mesmo apenas ir a algum evento montada. Até porque, fazer drag é trabalho e também diversão, neste quesito depende de quem faz. 
 
Como citado acima, o nome é um dos pontos que dá a estética, e também a sua marca. A maioria das drag queens se autobatizam com nomes femininos, fazendo ligações entre suas divas ou algo subliminar que só elas enxergam. Para Gadelha (2008), a escolha do nome está “relacionada à aparência do corpo montado uma vez que, os corpos manufaturados por essas pessoas apresentam fortes aspectos relacionados ao ‘domínio’ da feminilidade.”.
 
Existem outros meios de encontrar um nome essencial para a drag queen. No ciclo de amizade é comum surgir um apelido que acaba ganhando gosto, fazendo com que o indivíduo tenha certa intimidade com ele, e o adote. Outros, porém, preferem deixar o nome de batismo ou social, como é o caso de Pabllo Vittar. Neste último caso, são diversas matérias em veículos de comunicação digital em que Pabllo diz o porquê de continuar com o seu nome masculino, e isso, além de seu sucesso e talento divulgados pelas mídias, foi um dos pontos que o fizeram alavancar. Para a referida artista, se ela optasse por um nome feminino não estaria passando a sua mensagem.
 
A representatividade está crescendo, as drags estão reerguendo o castelo das queens, castelo o qual foi sendo destruído a partir da década de 1960 com a ditadura militar e também devido aos fatores socioeconômicos e culturais enfrentados na época, junto com a sociedade que insistia em agir de forma preconceituosa, com discursos de ódio, abominando essa cultura, o qual para parte dessa sociedade, era um mau exemplo, mau caminho ou aberração. Mas, nos últimos anos, a mídia e os veículos de comunicação digital estão noticiando as conquistas de cada uma dessas drag queens, ao começar com ‘RuPaul’, drag americana que têm um programa sobre uma disputa de drag queens só dele, chamado ‘RuPaul Drag Race’. A partir disso, percebe-se o olhar da representatividade, e a reconquista do trono das queens. Assim como as drags brasileiras que fazem músicas, gravam vídeoclipes, dão entrevistas, aparecem nas mídias, que tiram fotos e postam em suas redes sociais, fazem shows, ou até mesmo se montam para dar aquele belo close no rolê! 

 
 
Drag Dmittry em 2018 (@dragdmittryoficial) pousando para o ensaio fotográfico da Arrasadora
 
 
 
 
(Conteúdo retirado do Trabalho de Conclusão de Luis Otávio Pires, intitulado "A Representatividade da Arte Drag Queen nos Veículos de Comunicação Digital: O Globo e A Folha de S. Paulo - Caso Pabllo Vittar", defendido e aprovado em dezembro de 2018, pelas Faculdades Integradas de Jaú)

 

 

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Confira abaixo os comentários dos nossos queridos ARRASADORX!

18/07/2020 / 12:19:40

Wendryo (Goiânia Goiás )

Gostei muito da história da origem das queens muito legal saber


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